Faz algum tempo que eu chamo o Atlas de metodologia, no site, nas conversas e até na página dele aqui, e cada vez que escrevo essa palavra fico com a sensação de estar prometendo mais do que sei. O Atlas nasceu dentro das minhas duas empresas, a Oroz e a Sincera, construído junto com os meus sócios a partir de problemas que a gente tinha de verdade, e funciona muito bem para nós, só que ainda não sei se ele é uma metodologia de produto ou se é só o jeito como a gente trabalha.
Processo ou metodologia
A diferença que eu enxergo hoje, e que ainda estou tentando entender melhor, é que um processo é a sequência de passos que um time segue para chegar a um resultado, enquanto uma metodologia é algo maior, que explica por que aqueles passos funcionam e que continua de pé quando outras pessoas, em outros lugares, aplicam sem que quem criou esteja por perto.
Por esse critério, o Atlas tem um pé em cada lado. Ele tem uma ordem fixa de passos, que é a parte de processo, mas também tem princípios que explicam por que essa ordem existe, como escrever os objetos antes dos fluxos ou deixar toda contradição à vista em vez de resolver em silêncio, e são esses princípios que me fazem desconfiar que existe ali alguma coisa que vai além das nossas empresas. O que eu ainda não tenho é a prova de que ele se sustenta fora delas, e é isso que estou tentando descobrir na CodingIT, onde controlo bem menos do ambiente, como contei em Transformei uma entrega em processo.
Também não sei como se compartilha uma coisa dessas. Uma metodologia que só existe na cabeça de quem criou e nos repositórios de duas empresas é, no fundo, um conhecimento guardado, e se ela tem valor eu preciso descobrir um jeito de explicar para outras pessoas que não dependa de eu estar na sala.
Por que comecei a escrever
Foi em boa parte por isso que comecei este site. A ideia inicial era só documentar, sem nenhuma pretensão além de registrar o que está acontecendo enquanto acontece, inclusive as dúvidas, como esta.
Ainda não sei o que vou fazer com estes textos, e talvez o texto nem seja o melhor formato para isso, porque penso em fazer vídeos e outros conteúdos mais para frente. Enquanto não tenho tempo nem uma missão clara para o que isso vai virar, prefiro escrever do jeito que der, e deixar aqui o registro de como o Atlas está crescendo, do que ele já resolve e do que eu ainda não entendi sobre ele.
Se alguém estiver lendo
Eu imagino que quase ninguém leia isto, e tudo bem, porque este texto é, antes de qualquer coisa, uma anotação para mim mesmo. Mas se você chegou até aqui e tem alguma opinião sobre o que transforma um processo em metodologia, já passou por algo parecido ou só quer discordar de alguma coisa, eu adoraria ouvir, e o e-mail está logo aqui embaixo.
Por enquanto, este é o momento do Atlas, entre um jeito de trabalhar que deu certo e uma ideia que talvez sirva para mais gente, e é esse meio do caminho que eu quero registrar.
Escrito por Matheus Sá. Discorda ou quer complementar? Me escreve.